12 de Novembro 2017

"O juiz da Vara de Violência Doméstica tem um compromisso humano", diz Cármen Lúcia

"O juiz da Vara de Violência Doméstica tem um compromisso humano. É preciso ter vocação para uma humanidade solidária e é quase uma doação muito maior do que no geral, ao se tratar dessa temática". Essas foram as primeiras palavras da Ministra Cármen Lúcia, presidente do STF e do CNJ, durante a palestra de encerramento do IX Fonavid, nesta sexta-feira em Natal.

O Fonavid - Fórum Nacional de Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher - encerrou suas atividades nesta sexta-feira, depois de três dias de debates sobre uma das temáticas mais alarmantes no Brasil, com números cada vez mais elevados em relação ao femicídio.

A ministra destacou a necessidade do Judiciário promover a paz social e a importância da atuação dos magistrados no combate à violência contra a mulher e da necessidade de pensar a mulher e a sociedade no enfrentamento dessa violência. "Nosso país tem números extremamente gravosos em termos de violência em geral. Em relação à violência contra a mulher, chega a ser algo lancinante porque não há nenhuma explicação".

A palestra da ministra Cármen Lúcia foi acompanhada pelo presidente do Fonavid - juiz Deyvis Marques, pelo presidente da AMARN juiz Cleofas Coelho, pelos desembargadores do TJRN Amaury Moura e Gilson Barbosa e pela juíza auxiliar da presidência do STF Andremara dos Santos.

Segundo Cármen Lúcia, a violência contra a mulher ainda é muito ligada a questões culturais e que o direito não vai acabar com o preconceito, mas proibir a manifestação de todo ato de falta de respeito contra as mulheres. "A sociedade é violenta, sim, no mundo. Onde uma mulher apanhou hoje, é na minha cara que bateram. Somos partes de um todo. Se todo juntos, nós magistrados, formos capazes de ver que essa violência gera outras violências, e que não conseguiremos um mundo mais justo sem que estejamos juntos nessa luta por homens e mulheres serem tratados com respeito; é que então, nós teremos um Judiciário que cumpre seu papel por um mundo melhor", ressaltou a ministra.

O presidente do Fonavid juiz Deyvis Marques agradeceu a participação da  ministra e ressaltou a importância do compromisso de uma luta única, de todos, contra a violência.

Gostaria de externar nosso respeito por vossa excelência, que decorre de todo o seu histórico de trabalho e, em especial, de enfrentamento da violência contra a mulher, que se reflete em ações concretas. A presença da senhora aqui reflete isso, a portaria que estabeleceu a política nacional reflete isso, e eu vi nas palavras da senhora que a senhora sente muita honra de ter esses magistrados de enfrentamento à violência no nosso país. Na verdade, nós juízes que compomos o Fonavid, nos sentimos honrados de ter uma presidente do Supremo comprometida com a causa e que se preocupa não só com as mulheres que sofrem a violência, mas também com os anseios dos magistrados no dia a dia da aplicação da lei. Sua presença no CNJ é a implementação das soluções que precisamos para o enfrentamento da violência contra a mulher”, disse o juiz Deyvis Marques.

Presidente da AMARN juiz Cleofas Coleho e o presidente do Fonavid juiz Deyvis Marques

Assessoria Comunicação/AMARN

Fonte: post